Linguagem Visual e Espacial (Viso Espacial).
As línguas de sinais (como a Libras) são classificadas como línguas de modalidade gestual-visual, ou seja, viso-espacial, com as seguintes característica:
- Emissões visuais: A comunicação não depende do som, mas sim da visão, ou seja, a mensagem é transmitida por meio de movimentos das mãos, expressões faciais e corporais.
- Espaço 3D (tridimensional): A produção dos sinais ocorre em um espaço físico real à frente e ao redor do sinalizador, ou seja, “espaço de sinalização”.
- Espaço circundante: O corpo do emissor serve como ponto de referência, ou seja, a distância, a direção e a localização do sinal nesse espaço ao redor do corpo alteram o significado gramatical e lexical da mensagem.
- Simultaneidade: Nas línguas de sinais é possível produzir vários elementos ao mesmo tempo, ou seja, pode-se usar uma mão para indicar um lugar, a outra mão para mostrar um objeto se movendo e a expressão facial para indicar a velocidade ou a intensidade da ação, tudo no mesmo instante.
Gramática
Segundo Quadros e Karnopp, “a linguagem é restringida por determinados princípios (regras) que fazem parte do conhecimento humano e determinam a produção oral ou visuoespacial, dependendo da modalidade das línguas, da formação das palavras, da construção das sentenças e da construção dos textos” [12].
Segundo Januário, uma gramática é basicamente um conjunto de regras que definem a formação de cadeias de palavras em uma linguagem formal e, portanto, expressa uma forte correlação entre gramática e linguagens, ou seja, uma gramática deve produzir apenas sentenças sintaticamente possíveis de uma determinada linguagem [13].
A Libras possui uma gramatica diferenciada em relação à Língua Portuguesa e independe da linguagem oral, pois a ordem na formação de um enunciado obedece regras próprias que refletem a forma de um surdo processar suas ideias e descrevê-las (Strobel e Fernandes, 1998) [14].
Fonologia Visual
Conforme a contribuição vista em (Karnopp, 1999) [3], sobre a temática fonológica, no qual se compara a Língua de Sinais com a Língua Oral, destaca-se maior conjunto fonológico para a Língua Visual comparada à Língua oral, como elucidado no trecho a seguir:
A proposta de Stokoe de que a configuração de mão (CM), movimento (M) e locação (L), são fonêmicos na ASL é uma ideia atrativa e antiga. Entretanto, o segmento em si, mais do que os aspectos de um segmento, é a unidade da ASL, que carrega a função contrastiva de um fonema. Uma olhada preliminar no número de possíveis seguimentos contrastivos na ASL sugere que o número será consideravelmente maior do que aqueles encontrados nas Línguas Orais. Se este for o resultado depois de uma análise detalhada, então isto representa uma diferença muito interessante de modalidade. (Liddell, 1984).
Como visto em (Xavier, 2006) [4], destaca-se que Liddell observou que a sequencialidade também pode ser usada distintivamente, da mesma forma que é nas línguas orais. De acordo com os achados do autor, é possível encontrar nas línguas sinalizadas pares de sinais que contrastem unicamente pela ordem em que as especificações de um mesmo parâmetro é realizado. Doravante, Liddell (1984) propôs uma estrutura sublexical, diferente da proposta de Stoke, por incluir a sequencialidade, análoga ao que ocorre nas línguas orais.
Praticamente todos os modelos de fonologia de sinais permitem a sequencialidade, como uma sequência de estática e segmentos dinâmicos (Liddell, 1984; Sandler, 1986; Liddell e Johnson, 1989; Perlmutter, 1993), ou uma sequência de unidades de tempo abstratas em que apenas os pontos de extremidade não dinâmicos acabam associando (van der Hulst, 1993; Brentari, 1998), como apresentado por Rawski (2019). [5]
Escrita do surdo
No Brasil, determina-se que a escrita do surdo seja baseada na Língua Portuguesa. Ou seja, precisa-se aprender a Língua Portuguesa. No entanto, há uma grande dificuldade dos surdos em relação ao aprendizado da Língua Portuguesa. Isto pois, trata-se de uma língua baseada em fonemas. Ou seja, que respondem a associações com unidades sonoras da língua, o que impossibilita ao surdo a ligação desta associação (Januário et al., 2010) [13].
A comunidade surda encontra-se excluído da prática cognitiva promovida pela leitura e escrita, da qual Mariana Rossi Stumpf afirma que dá pra filmar em língua de sinais. Mas vale lembrar que filmar não é escrever e a escrita é muito importante, pois significa dar conhecimento, aprendizagem, é a metalinguística, minha prática de reflexão da língua de sinais. (Stumpf, 2015). <Ir>
Metalinguagem Viso Espacial
Trata-se do encadeamento de caracteres ABNT-2, da esquerda para a direita, que descreve o processo viso espacial, no domínio do tempo e espaço, composto por (3)três pilares: Objeto, Ação e Alvo.
Processo Viso Espacial
- Objeto: Mão, elemento polegar.
- Ação: Articulação em Cela Cinesiologia
- Alvo: Junção Trapézio Metacarpo. [1]
A articulação em sela do polegar, chamada de articulação trapeziometacarpiana, conecta o osso trapézio (no punho) ao primeiro metacarpo (na base do dedo), ou seja, a junção dos ossos Trapézio e Metacarpo do dedo Polegar possui articulação em sela, com dois planos ortogonais de movimentos, k(z,x) e k(y,z), que se encaixam, lembrando uma sela de cavalo. como ilustra na Figura 1.
k(z,x): Contorno Côncavo no Plano.
k(y,z): Contorno Convexo no Plano.
A articulação em sela do polegar possui uma superfície côncava e outra convexa, que permite mover o polegar em várias direções, girar e realizar o movimento de oposição (tocar a ponta dos outros dedos), essencial para a pinça e a pega de objetos.
Movimentos do Polegar

- Flexão: É o movimento de dobrar o polegar cruzando-o em direção à palma da mão.
- Extensão: É o movimento de esticar ou afastar o polegar, voltando ele para a posição normal ao lado da mão.
- Abdução: É o movimento de afastar o polegar para a frente, tirando-o do plano da palma da mão.
- Adução: É o movimento de aproximar o polegar de volta, encostando-o na lateral do dedo indicador.
- Oposição: Articulação do polegar que combina três ações ao mesmo tempo: Abdução, Flexão e Rotação, ou seja, gira o polegar para que a digital fique virada para os outros dedos.




